Literatura Brasileira
- 1 de nov. de 2017
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A literatura brasileira, em seu início, surgiu em congruência com as manifestações literárias trazidas de Portugal. Isso porque os escritores e artistas da época ou eram portugueses de berço ou brasileiros que tinham formação acadêmica em Portugal. As primeiras formações literárias em solo lusitano começaram por volta dos séculos XII e XVI, entre a Baixa Idade Média e o Renascimento. Com a vinda dos colonizadores ao Brasil, seus ideais aqui também chegaram.
Sempre que falamos em literatura, nos deparamos com as expressões estilos de época ou estilos literários. Esses, marcam a forma como cada movimento se inicia, muitas vezes por conta de um grande fato histórico ou de uma grande obra revolucionária. A literatura pode ser dividida em dois períodos:colonial e nacional. A colonial é chamada assim porque foi composta por um grupo de pessoas que buscavam copiar os estilos, padrões e tendências de Portugal. Já a nacional é formada por escritores que foram criando estilos com características próprias, muitas vezes refletindo sentimentos dos acontecimentos da época.
Quinhentismo
O quinhentismo corresponde ao período literário que abrange todas as manifestações literárias produzidas no Brasil na época de seu descobrimento pelos portugueses, durante o século XVI. É um movimento paralelo, ou seja, parecido ao classicismo português e possui ideias relacionadas ao renascimento, que vivia o seu auge na Europa. Como vieram atrás de riquezas , se da o fato de ser uma literatura meramente descritiva e de pouco valor literário.
A exaltação da terra exótica e exuberante seria sua principal característica, marcada pelos adjetivos, quase sempre empregados no superlativo. Esse ufanismo e exaltação do Brasil seria a principal semente do sentimento nativista, que ganharia força no século XVII, durante as primeiras manifestações contra a Metrópole. O quinhentismo tem, como tema central, os próprios objetivos da expansão marítima: a conquista material, relacionada com as Grandes Navegações, e a conquista espiritual, resultante da política portuguesa da Contrarreforma e representada pela literatura jesuítica da Companhia de Jesus.
José de Anchieta
São José de Anchieta SJ (San Cristóbal de La Laguna, 19 de março de 1534 — Reritiba, 9 de junho de 1597) foi um padre jesuíta espanhol, santo da Igreja Católica e um dos fundadores da cidade brasileira de São Paulo.
Beatificado em 1980 pelo papa João Paulo II e canonizado em 2014 pelo papa Francisco, é conhecido como o Apóstolo do Brasil, por ter sido um dos pioneiros na introdução do cristianismo no país.
José de Anchieta, era a de converter os índios ao cristianismo. Dessa forma, imbuído nesse propósito, escreveu poemas, hinos, canções e autos, sendo que esses últimos atestaram uma retomada das criações de Gil Vicente e toda manifestação cultural materializada na Idade Média. Assim, afirmamos que entre todas elas, foi justamente no teatro (autos) que mais se destacou mediante o objetivo a que propunha (missão catequética), uma vez que às vésperas de comemorações religiosas, escrevia peças que, de forma amena, levava ao público, fazendo com que aquele sentimento fizesse renovar a fé e não se tornasse tão cansativo, como o que ocorria com os Sermões.
Por se tratar de um público heterogêneo, muitas vezes constituído por soldados, indígenas, colonos, marujos, comerciantes etc., José de Anchieta procurou escrever de forma multilíngue – fato que conferia às produções dele uma maior acessibilidade. No entanto, era, pois, na figura do indígena, o foco principal, tendo em vista os hábitos dos primeiros habitantes, levando em consideração o gosto de que dispunham por festas, danças, músicas e representações, o artista fez de tais costumes seu verdadeiro trunfo. Assim, aliava esse pendor natural aos dogmas católicos e à moral, fazendo uso de jogos dramáticos, cuja intenção era de que ao mesmo tempo em que instruía, também conquistava os objetivos a que se propunha.
Ainda envolto nesse espírito medieval, Anchieta escreveu diversas poesias, tanto pessoais quanto catequéticas, cujos versos seguiram essa mesma linhagem. Muitas delas, sobretudo as últimas, foram escritas em latim, destacando De beata virgine dei Matre Maria (Poema à virgem, 1563) como uma das mais importantes.
Catequização
A Literatura de Catequese ou Literatura dos Jesuítas, ao lado da “Literatura de Informação” representou uma categoria de textos elaborados durante o movimento literário quinhentista no Brasil Colônia.
Essa categoria literária de caráter religioso, foi considerada uma das primeiras manifestações literárias no Brasil, explorada sobretudo, pelos jesuítas.
Eles eram membros religiosos da “Companhia de Jesus”, enviados durante o período colonial com o intuito principal de catequizar os índios e obter mais fiéis para a igreja católica, uma vez que na Europa vinha sofrendo cada vez mais com a Reforma Protestante (1517).
A despeito de se aproximarem da Literatura de Informação uma vez que representavam textos imbuídos de características das novas terras descobertas pelos portugueses, a Literatura de Catequese foi escrita exclusivamente pelos jesuítas, encarregados de apresentar aos índios, o que os portugueses consideravam como o “certo”, sobretudo sobre aspectos da religião cristã.
As principais caraterísticas da literatura de catequese são:
Literatura de caráter documental e religioso
Crônicas históricas, de viagens, teatro pedagógico e poesia Didática
Textos informativos e descritivos
Linguagem simples
Temas cotidianos e religiosos pautados na fundamentação religiosa cristã

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